Cervejeiros trabalham com sazonalidade: em uma determinada estação do ano começam a pensar e a produzir as receitas da estação seguinte. Assim é a cerveja de inverno, produzida no outono, pois demanda um longo tempo de maturação para ficar pronta. No Brasil, antes do surgimento e da expansão das cervejas artesanais, a Kaiser já comercializava sua cerveja bock, o que fez com que muitos brasileiros pensem até hoje que cerveja de inverno é necessariamente uma cerveja bock.

Na verdade, as cervejas dessa estação são feitas com uma carga maior de malte e outras fontes de açúcar para se produzir mais álcool durante a fermentação, apresentando mais poder de aquecimento que as cervejas do verão e da primavera. Parte desse açúcar permanece na cerveja, conferindo sensação de corpo. Por isso costuma-se descrever essas cervejas como “fortes e encorpadas”.

Muitos estilos se enquadram nessa descrição, portanto muitas cervejas podem ser consideradas de inverno. Vejamos algumas:

Dubbel, tripel, quadrupel: da escola belga, são cervejas de alto teor alcoólico – indo de aproximadamente 7% a 11% – e bastante aromáticas, com características frutadas e condimentadas.

Bock e doppelbock: típicas da região alemã de Eibeck, as bock (cujo símbolo característico é um bode) são acastanhadas, medianamente alcoólicas e encorpadas. O destaque aqui é o malte, que confere aromas e sabores de caramelo, toffee e um leve tostado. As doppelbock são as bock mais robustas (doppel significa duas vezes). São facilmente identificadas nas prateleiras por terminarem em -tor ( como Paulaner Salvator) e podem chegar a 9% de álcool.

Barleywine e Wee-heavy: do Reino Unido duas opções se destacam. Nada contra as IPAS e as Stouts, mas são estilos que o brasileiro já assimilou bem e bebe em diversas ocasiões. Já as barleywines inglesas e as cervejas escocesas fortes merecem destaque no inverno. São complexas, bem maltadas e, como o nome indica, em alguns casos, devem ser pensadas como um vinho feito de cevada: tornam-se melhor à medida que envelhecem.

Double ou imperial american beers: aficionados por cervejas extremas, os norte-americanos costumam radicalizar estilos clássicos, como as IPAS inglesas, passando a denominá-las de double ou imperial. Bom exemplo disso é a  Imperial American IPA, claras, com forte aroma cítrico de lúpulos norte-americanos, alto nível de amargor e teor alcoólico acima dos 8%. Outra opção que vem ganhando espaço nas prateleiras são as RIS (Russian Imperial Stouts), que podem ultrapassar os 10% de álcool, são escuras e apresentam alta carga de tosta, como chocolate e café. O Barba, Barriga e Cerveja deu uma dica de RIS, em uma ação colaborativa do BeerTube com a #CervejaDeInverno. Confere aqui no canal! Aproveite e acesse aqui a playlist dos canais de youtubers cervejeiros que também deram as suas sugestões.

Para aqueles que não abrem mão de combinar uma boa comida como uma boa bebida, essas cervejas casam muito bem com diversos pratos, criando possibilidades incríveis de harmonização! Mas isso é assunto para um outro post.

Um abraço!